segunda-feira, 29 de março de 2010

SAÚDE

MÚSCULOS EM FORMA NA TERCEIRA IDADE
Atividade física regular garante qualidade e o prolongamento da vida


Silvia Palma
Para Jornal Folha de Videira
Edição 20/03/2010


É fato. A obesidade vem se afirmando como um dos maiores vilões da sociedade moderna. Segundo especialistas, o aumento do sobrepeso se dá até, aproximadamente, os 60 anos. A partir daí, o peso geralmente se estabiliza e o que se vê uma tendência inversa. Os idosos começam a perder peso e a massa muscular, que é uma estrutura vital que sustenta e ajuda no equilíbrio do corpo humano.

A perda de massa muscular pode afetar todos os grupos musculares do corpo, reduzindo a força contrátil desempenhada por eles, o que provoca perda da estabilidade, insegurança ao caminhar, quedas, dificuldades para expandir a caixa torácica e para respirar amplamente ou tossir. Neste contexto, a falta de atividade física, que ocorre progressivamente com o avançar da idade é, certamente, um fator determinante para a regressão muscular. "Não há dúvida que a prática regular de atividade física, desde jovem, lentifica a perda muscular do idoso", observa o professor de Educação Física – Chico, da Academia Planeta Água.

Para atingir o objetivo de preservar a massa muscular após os 60 anos de idade, é recomendada a prática regular de atividade física, com uma frequência mínima de três vezes por semana. As modalidades benéficas são musculação, caminhadas, natação, hidroginástica e atividades lúdicas, como a dança e os jogos coletivos. “Acredito que os melhores resultados são obtidos com a prática de natação ou hidroginástica, pois essas atividades tem baixo nível de impacto e facilitam a movimentação e a realização dos exercícios, para os idosos”, diz Chico.

De acordo com o professor, além de colaborar com a manutenção da massa magra, essas atividades favorecem um melhor desempenho cardiovascular e uma melhor sociabilização do idoso. “Felizmente há muita informação à disposição e a população está se conscientizando sobre a importância das atividades físicas. Aqui na academia pelo menos 40% dos alunos estão acima dos 45 anos. Minha aluna mais velha tem 88 anos e os mais novos apenas dois aninhos”.

SETE DÉCADAS DE MUITA DISPOSIÇÃO

Quem vê a simpatia e a disposição da aposentada Sonia Skalee Huf, não imagina que ela tenha completado recentemente 71 anos de idade. Dentro da piscina fica ainda mais difícil acreditar que a senhora já vive há mais de sete décadas. Três vezes por semana, faça chuva ou faça sol, ela participa das aulas de natação e com a disposição de uma jovem, percorre uma distância de 1.200 metros em cada aula.

A rotina dos exercícios acontece há exatos 21 anos. E ela orgulha-se em dizer que não tem nem celulite e nem estrias. O único remédio que toma é para controlar o colesterol, pois o coração e a pressão arterial estão impecáveis. “Sempre fui muito ativa. Quando criança nadava no Rio do Peixe, na escola brigava para ser monitora nas aulas de Educação Física e adorava os 7 de Setembro para marchar. Minha maior decepção foi em 1954, quando em 24 de agosto, Getúlio Vargas se suicidou e o desfile para o qual nos preparávamos foi cancelado”, brinca.

Mãe de dois filhos e avó de três netos, Sonia, aposta nos dias repletos de atividades para se manter disposta. Além das aulas de natação ela participa dos corais Municipal e da Igreja Luterana do Brasil, onde também é tesoureira e da Sociedade Amigos do Museu do Vinho (Samuvi). Em casa faz bordados, lê revistas, jornais e livros e ainda participa do Projeto Idade Ativa, da Unoesc. Lá ela tem aulas de artesanato, noções de nutrição, ecologia e aprende computação. “Também tem várias viagens e isso é excelente porque conhecemos gente e lugares novos”, comemora.

Para Chico, professor da Academia onde Sonia frequenta, a senhora é um exemplo de vitalidade e de condicionamento físico. Ele explica que não é à toa que os “check ups” que ela faz anualmente, são sempre positivos. “A Sonia tem índice de massa corporal, condizente com uma pessoa de 45, 50 anos”, elogia, alertando sobre a importância da atividade física estar associada a uma dieta alimentar saudável. “Afinal, somos tudo aquilo que fazemos e comemos”, conclui.



LEGENDA FOTO GERAL: Baixo impacto da natação e da hidroginástica atrai os idosos
LEGENDA SONIA: Sonia nada 3.600 metros por semana

COMPORTAMENTO

A SOBREVIVÊNCIA DAS LOCADORAS DE VÍDEOS
Na luta contra a pirataria e às novas tecnologias, locadoras continuam firmes e com clientela fiel

Silvia Palma
Para Jornal Folha de Videira
Edição 27/03/2010


Locadoras de vídeos fizeram, e ainda fazem, parte da vida de muita gente. Verdadeira febre nos anos 80 e 90, o modelo de negócio atingiu o seu ápice com a adoção do DVD em substituição às pesadas fitas VHS. Mas aí a TV por assinatura tomou impulso, a Internet chegou e se consolidou, inventaram as copiadoras de DVDs, a pirataria se espalhou como praga, o cinema chegou a cidade e todo mundo achou que o fim das locadoras estava decretado. Mas, não foi isso que aconteceu. Elas continuam firmes e com clientela fiel, garantida.

Segundo Jéssica Possato – atendente da Center Vídeo, quem gosta da tranquilidade de casa, de poder parar o filme a hora que quiser, ou quem quer economizar, não deixa de frequentar as locadoras. Só na Center Vídeo da Saul Brandalise, todos os meses, cerca de quatro mil filmes são locados. As quartas-feiras quando o cliente paga uma locação e leva duas e, os domingos, são os dias de maior movimento, podendo atingir mais 300 locações diárias. “Pagando apenas R$ 5,00 pela locação, toda a família pode assistir o filme, além disso, tem a diversidade de títulos. Só nesta loja temos mais de 5.600 filmes”, diz a funcionária.

Gêneros como ação, suspense, aventura e comédia, são os recordistas de locação. O motivo está no perfil dos clientes, que é formado, na grande maioria por homens. “Não saberia dizer porque a maioria dos clientes é de homens, mas sem dúvida eles são os que mais vem à locadora”.


UNINDO O UTIL AO AGRADÁVEL

O sonho de trabalhar em um local, onde se pode assistir, antes de todo mundo, os últimos filmes lançados, também continua povoando a cabeça de muita gente. Assim como Jéssica Possato, a jovem Andressa de Paula, de 18 anos,também faz parte do seleto grupo dos privilegiados. As duas trabalham juntas na Center Vídeo. Jessica já trabalha como atendente da locadora há 4 anos.Este foi o primeiro emprego dela e neste período a moça já assistiu cerca de 1.500 filmes.“Eu já gostava de filmes, mas com o trabalho na locadora, passei a unir o útil ao agradável, pois tenho que assistir para poder indicar aos clientes e ao mesmo tempo me divirto”, comemora.

Entre os gêneros preferidos de Jéssica estão filmes de comédia, aventura e romance. Ela é a responsável por dar dicas aos clientes sobre estes tipos de filme. “Se eu tivesse que indicar alguns filmes que todos deveriam assistir, seriam os romances “Antes que termine o dia” e “Diário de uma paixão”. Ambos são lindos e inesquecíveis”, diz.

Para Andressa, a oportunidade de trabalhar como atendente de locadora surgiu por acaso, há pouco mais de um ano. A jovem era funcionária de uma padaria, localizada ao lado da locadora. Quando a vaga surgiu, não hesitou. “Eu assistia filmes esporadicamente, mas achava bacana esse trabalho, afinal quem não quer assistir os lançamentos, antes que todo mundo?”, questiona a moça, que em um ano e três meses, assistiu 656 filmes.

Diferente de Jéssica, Andressa adora suspense e terror. Quando o cliente pede dicas desses dois gêneros ela é especialista. “As comédias também me agradam, tanto que o cliente que me pedir uma dica hoje, receberá a do filme “Se beber, não dirija”, é hilário e indispensável”.

Mas quem acha que a profissão das duas moças é só alegria, se engana. Segundo elas, os horários e o trabalho em feriados e fins de semana, tiram um pouco do “glamour”. “Com certeza é bacana assistir aos filmes em primeira mão, no entanto, essa iniciativa faz parte do nosso trabalho, além disso, enquanto todo mundo está tranqüilo, no sofá de casa, comendo pipoca e assistindo filme, nós estamos trabalhando”, brincam as atendentes.


LEGENDA FOTO: Jessica e Andressa: Elas alugam mais de 4 mil filmes por mês



quarta-feira, 17 de março de 2010

PERSEVERANÇA

O SONHO DE AJUDAR FAZER JUSTIÇA
A história de 3 irmãos, filhos de um presidiário, que perseguiram o sonho de serem advogados


Silvia Palma
Para Jornal Folha de Videira
Edição:13/03/2010
Uma vida traçada por perdas, preconceitos, oportunidades e superação. Estes são os ingredientes principais da história de uma família de advogados de Videira. João, de 44 anos, Danilo, de 36 anos e Zeli do Prado de 32 anos, têm mais cinco irmãos, mas chamaram para si o desejo e a obrigação de sempre buscar a justiça.
O motivo para isso, eles encontraram dentro de casa.

Na década de 70, o pai se envolveu em uma briga e acabou cometendo um homicídio. Foi condenado há 16 anos de prisão e durante todo este período, João, o filho mais velho, acompanhava a mãe na busca dos direitos do pai. “Não tínhamos dinheiro para pagar um advogado, mas minha mãe, embora sem estudos, era muito esperta. Nos colocava embaixo do braço e íamos todos falar com o juiz. Com isso, ela conseguia benefícios como a remissão da pena, saída temporária, progressão do regime, e até a transferência de prisão, já que meu pai cumpriu pena em Videira e Chapecó”, relembra João.

O primeiro a se formar foi João, há 12 anos. Ele se orgulha em dizer que faz parte da segunda turma de Direito da Unoesc Videira. Na espera por realizar o sonho de advogar, trabalhou como lavador de carros e gerente financeiro de uma cooperativa. Quando o curso abriu na cidade, correu se inscrever para o vestibular. Não passou na primeira tentativa, mas no ano seguinte já estava freqüentando as aulas. Formado, tirou nota 9,0 considerada uma das notas mais altas do exame da OAB em Videira, na época. “Eu achava que meu pai tinha sido injustiçado por não ter dinheiro para pagar um advogado, por isso persegui tanto este sonho”, relembra.

Em 2001, depois de atuar como cortador de lenha, ajudante de pintor e policial militar, o irmão de João, Danilo do Prado, que também havia prestado o vestibular para a primeira turma de Direito de Videira e não havia passado, resolveu retomar o sonho. Entrou para a Universidade e se formou em 2006. Zeli que trabalhava no setor de produção da Perdigão,seguiu o mesmo caminho. Em 2008, também se tornou Bacharel em Direito. “Nosso desejo de atuar no direito tem muito a ver com a história do meu pai, mas não podemos deixar de destacar o incentivo constante de minha mãe. Ela comemorava nossas conquistas, fazia questão de assistir aos júris, que atuávamos”, diz Danilo, explicando que a mãe – Maria Inoema do Prado, morreu em 2007.

DIFICULDADES CONTINUARAM DEPOIS DE FORMADOS

Quem vê os irmãos João, Danilo e Zeli do Prado, bem instalados em um escritório no bairro Alvorada, não imagina o longo caminho que percorreram até se estabelecerem. João, o primeiro a se formar, conta que, por causa do preconceito, após formado não conseguia estágio em nenhum escritório. 

A oportunidade veio através do empresário e também advogado – Gilberto Zarpellon, que abriu as portas e mais tarde deixou o escritório inteiro para que João tomasse conta. “Sou eternamente grato ao Gilberto Zarpelon. Essa é uma história que me emociona, porque cresci em uma família que foi alvo constante de preconceito, seja pelo histórico da prisão do meu pai, ou pela pobreza, então quando alguém te estende a mão, você nunca esquece”, diz João com os olhos marejados.

PRECONCEITO CONTRA EX-DETENTOS DEVE SER REAVALIADO

Atitudes como a do empresário Gilberto Zarpellon também fazem parte do cotidiano da família Prado. João e Danilo que advogam e Zeli Bacharel em direito, trabalham, como eles gostam de dizer, com advocacia popular.Atuam nas áreas trabalhista, civil e criminal, onde levantam a bandeira de oportunizar a reinserção na sociedade e no mercado de trabalho, de ex- detentos. “Graças a Deus, minha mãe conheceu famílias de Videira que não tinham preconceito e deram emprego à ela, o que permitiu que nos criasse. O mesmo aconteceu com meu pai, quando acabou a pena e, é isso que gostaríamos de ver na sociedade atual”, conta Danilo, apontando as famílias Carboni, Fernandes, Zanin, Basso, Espig, Micheloto, Beins, Pasqual e Mioto, entre as que ajudaram os pais.

Os advogados explicam que um levantamento aponta que o índice de reincidência, para ex-presidiários sem oportunidade de ingressar no mercado de trabalho varia entre 60% a 70%. Para reverter essa situação, alguns Projetos de Lei que estabelecem incentivos fiscais para empresas que contratarem ex-presidiários, já estão em tramitação em alguns estados, no entanto, eles acreditam que a iniciativa privada pode se antecipar e contribuir para melhorar esse cenário. “Toda a sociedade perde com a falta de oportunidade ao ex-detento, porque ele vai reincidir e pode influenciar na conduta de seus filhos, por isso, acreditamos que as empresas podem fazer uma avaliação de cada caso, antes de simplesmente fechar as portas”.

LEGENDA FOTO: Irmãos defendem a bandeira da reinserção de ex-detentos na sociedade

COTIDIANO

VENDENDO ALEGRIA

Dos pomares de maçã para o comércio ambulante de algodão doce, o vendedor Jean Carlos Limeira esbanja talento

Silvia Palma
Para Jornal Folha de Videira
Edição:13/03/2010


O assobio do sorveteiro, as cores do algodão doce e o aroma da pipoca nos carrinhos do ambulante fazem parte do cenário de qualquer cidade. Com ofícios simples, eles ganham a vida nas ruas, de porta em porta, nas saídas de escolas, nas entradas de festas. A maioria ingressou no ofício como alternativa ao desemprego, mas o tempo passa e eles continuam firmes, na luta diária pela sobrevivência. Para chamar a atenção dos fregueses,usam criatividade e alegria ou apelam para as buzinas, garantindo que sejam ouvidos.

Andando por aí, fica fácil perceber a quantidade de pessoas que leva a vida na informalidade, batalhando pelas oportunidades. Diferente do que se poderia imaginar, muitas delas são pessoas animadas, felizes, que aceitaram e superaram suas dificuldades. É o caso do vendedor de algodão doce e maçã do amor, Jean Carlos Limeira, que é morador de Fraiburgo, mas pelo menos uma vez por semana marca presença nas ruas de Videira. “Fiz um cronograma que me leva cada dia para uma cidade da região. Pego o primeiro ônibus do dia e só retorno para casa no último, assim garanto o sustento da família”, conta o simpático vendedor, que fica antenado nos eventos de fim de semana para intensificar as vendas.

TALENTO NATO

Ainda que passando longe das aulas de Administração de Empresas ou Marketing, o vendedor de algodão doce, que só cursou até a 3ª série primária, entende de atendimento ao cliente, possui técnicas de fidelização e manja de planejamento e posicionamento de seu negócio. Atende a todos com educação e um belo sorriso no rosto. “Tanto o algodão doce, quanto a maçã do amor, tem gosto de infância, por isso, dificilmente as crianças resistem. No entanto, para agregar valor ao meu negócio, passei a dar uma máscara de personagens infantis, para quem compra algodão doce. As vendas só cresceram”, conta ele.

A venda do doce que faz parte do imaginário infantil, surgiu na vida de Jean, há cerca de 15 anos. Nos fins de semana, quando tinha folga no trabalho de colheita de maçã, ajudava um amigo a vender algodão doce. Aos poucos foi criando a própria clientela e viu no negócio informal,a chance de escapar do trabalho pesado e cansativo. “Além disso, percebi que poderia ganhar mais do que na colheita e só dependeria do meu esforço. Então criei coragem e optei em ter meu próprio negócio”.

Para incrementar as vendas, durante a visita em um circo, há cerca de 5 anos, Jean fez amizade com vendedores de maçã do amor e em troca ganhou a receita da fruta caramelizada. De lá pra cá também incluiu o produto, no mastro que carrega sobre os ombros e tem contabilizado mais ganhos.

Com a ajuda da mulher, que trabalha em um frigorífico, mas o acompanha nos fins de semana, a família chega a vender cerca 1.200 algodões doce e 800 maçãs do amor, por mês. Os preços variam: durante a semana ele cobra R$ 1,50 para os dois produtos e durante festas e fins de semana, o preço sobe para R$ 2,00. “Não posso reclamar, pois embora seja cansativo, também é compensador. Esse trabalho está me ajudando a manter minha família e a criar meus dois filhos”, diz.

CARGA TRIUTÁRIA ESTIMULA A INFORMALIDADE

Os principais motivos apontados pelos economistas como responsáveis pela crescente taxa da informalidade são a alta carga tributária e a grande competitividade no mercado de trabalho.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), apenas 46,6% dos trabalhadores estão contratados seguindo as leis trabalhistas. Isso quer dizer que 53,4% não têm acesso aos benefícios essenciais que os contratos com carteira assinada oferecem,como auxílio doença, aposentadoria e férias. Foi pensando nisso que o vendedor de algodão doce começou a planejar o futuro. Ele explica que já deu entrada em um processo para participar do Programa Micro Empreendedor (MEI) Individual, criado no ano passado pelo governo federal. Nele, trabalhadores como Jean, que tem seu meio de vida ainda na clandestinidade e sem poder comercializar seus produtos e serviços junto aos órgãos públicos, vai ganhar uma chance de ficar na legalidade, ter acesso a nota fiscal e melhorar o faturamento. “Pagarei cerca de R$ 51,00 por mês e terei direitos como a aposentadoria e auxílio doença garantidos. É tranqüilidade para mim e para minha família”.


LEGENDA FOTO: Há 15 anos Jean percorre cidades da região vendendo algodão doce

sexta-feira, 12 de março de 2010

TRADIÇÃO

DE PAI PARA FILHOS
Com mais de meio século de experiência em chapeação, Alberto Posanski divide a tradição com os filhos

SilviaPalma
Para Jornal Folha de Videira
Edição: 06/03/2010

Família que trabalha unida, permanece unida! O dito popular é antigo, mas ainda é muito atual quando se trata da família Posanski de Videira. Na Chapeação,localizada no bairro Alvorada , o cliente sempre será atendido por um Posanski, seja pelo patriarca – Alberto ou por um dos filhos dele: Marcelo ou Eduardo. “Em família trabalhamos com mais empenho e as cobranças também são maiores, pois trata-se do nosso negócio e todos queremos ver resultados”, aponta Marcelo, o filho mais velho, que gerencia a oficina.

O pai dos rapazes, Alberto Posanski, tem 71 anos, mas nem pensa em parar de trabalhar. Diariamente ele cumpre uma jornada de cerca de 8 horas e meia de trabalho, ao lado dos filhos. No local eles fazem serviços de chapeação e pintura de carros nacionais e importados, além da restauração de veículos antigos. Na vida dos rapazes, o ofício virou trabalho profissional há pouco tempo, mas seu Alberto já acumula 55 anos de experiência. “Comecei a trabalhar como chapeador em 1955. Nessa época atuei na Mecância Atlas, depois, na década de 60, na antiga Auto Videira (representante da Wyllys – hoje Ford) e na AMG Chevrolet, entre outras empresas. Então, em 1970 resolvi abrir meu próprio negócio e lá se vão 40 anos”, contabiliza.

O passado de muito trabalho é motivo de saudades para o chapeador, mas a tecnologia e as ferramentas atuais são reverenciadas por tornar a atividade menos desgastante. Ao longo dessas cinco décadas e meia de trabalho, seu Alberto orgulha-se em dizer que criou e educou três filhos: Marcelo e Patrícia que se formaram em Administração e são pós- graduados e Eduardo que atuou em uma agroindústria, mas optou por se juntar ao pai e ao irmão para dar continuidade a tradição familiar. “Meu pai não queria me deixar trabalhar na oficina, pois achava um trabalho muito pesado. Assim como o Marcelo que trabalhou na área administrativa de algumas empresas, eu acabei trabalhando na Perdigão, mas há dois anos resolvi me juntar à eles e ajudar no negócio da família. Estou feliz com a escolha que fiz”, aponta.

INCÊNDIO UNIU AINDA MAIS A FAMÍLIA

O dia 20 de fevereiro de 2009, é uma data marcante na memória da Família Posanski. Eles almoçavam quando receberam a notícia de que a oficina estava em chamas. Até hoje, não sabem ao certo o que provocou o fogo, mas todos têm nítida na memória a imagem da destruição. “Foi muito triste ver parte da história da minha família destruída. Infelizmente, quando chegamos não havia mais nada o que fazer”, lamenta seu Alberto.

No incêndio desde a estrutura física, até ferramentas foram destruídas. O fogo não poupou nem os três carros de clientes, que a família restaurava e estava prestes a entregar. “Dois veículos estavam praticamente concluídos e o terceiro estava pela metade. Todos foram destruídos”, relembra Marcelo.

Neste momento, a união da família fez toda a diferença. Com trabalho e empenho eles reconstruíram e reequiparam a oficina e algum tempo depois já estavam trabalhando novamente. Nas mãos dos Posanski, carros atuais batidos ou arranhados são recuperados e veículos antigos são cuidadosamente restaurados. “Deixamos esses veículos antigos com traços e características originais, como quando saíram da fábrica. É um trabalho muito minucioso que nos dá muito orgulho”, diz Eduardo, apontando a restauração de um Ford T (1929) e uma Pick Up (1952) – americanos, além de diversos fuscas alemães da década de 50, como exemplos do trabalho que eles já executaram.

SERVIÇO
A Chapeação Posanski fica na Rua Alberto Zoller – 180 – Próxima a Delegacia Regional – Telefone: 3533-0685

AINDA DÁ TEMPO

APROVEITE AS LIQUIDAÇOES DE VERÃO
Mudança de estação oferece descontos de até 70% para roupas, calçados e acessórios

Silvia Palma
Para Jornal Folha de Videira
Edição: 06/03/2010



Toda mulher adora uma liquidação e para o deleite delas os meses de fevereiro e março que antecedem a troca de estação para o outono, são marcados pelas queimas de verão. Primeiro para as lojas renovarem o estoque, segundo, porque as promoções são uma maneira de atrair mais clientes. Em Videira, várias lojas estampam nas vitrines cartazes e letreiros chamativos. Os descontos podem variar de 20% até 70% para roupas, calçados e acessórios que fizeram sucesso na estação mais quente do ano. “As coleções podem mudar muito de um ano para o outro, por isso, as liquidações se transformam em oportunidade para os lojistas venderem essas mercadorias e para os consumidores que podem encontrar preços bem acessíveis”, aponta a gerente da Lorenci – Luciane Drehmer.

A engenheira agrônoma Rosana Kokuszka é uma consumidora atenta à essas oportunidades. Na última semana ela aproveitou a promoção de verão para arrematar peças que “namorava”, há tempos, mas que estavam com o preço alto demais. “Comprei três blusas e uma bolsa com descontos que variaram de 30% a 50%. Se fosse pagar o valor normal teria gasto R$ 986,00, mas com a promoção levei tudo por R$ 644,00 e, economizei quase R$ 350,00”, diz ela, que elegeu a bolsa como o grande negócio das compras. “Só na bolsa economizei quase R$ 200,00”, comemora.

Rosana conta que apostou na compra de peças que ela poderá usar até o fim da estação e também no próximo ano. No entanto, a engenheira confessa que nem sempre analisa com tanto cuidado as promoções. “Muitas vezes ajo por impulso e acabo me arrependendo. Já comprei coisas que eram moda na época, mas que depois ficaram desatualizadas”.
Para não correr o risco de comprar peças que você não vai usar mais tarde, é bom seguir algumas dicas.

ANALISE A OPORTUNIDADE

• Faça pesquisa de preço para verificar se não se trata de “falsa liquidação”, o que acontece com mais freqüência do que se pode imaginar.
• Pesquise os preços em vários estabelecimentos e defina, em casa, o que deve ser comprado. Um bom aliado disso são os anúncios em jornais, rádios ou TV.
• Não compre por impulso, só porque é barato e está em liquidação. A mercadoria pode não ter utilidade para você.
• Não tenha pressa na compra em liquidação, para poder avaliar e escolher com cuidado os produtos. Prefira modelos mais clássicos e cores neutras.
• Tenha cuidado redobrado com o estado das mercadorias, principalmente aquelas em exposição. Lembre-se que não poderá trocar, por isso, confira se não há defeitos que comprometam a utilização.

ACERTE NAS ESCOLHAS

Camiseta com estampa de natureza e laços
Laços, Insetos, pássaros, e outros bichos estão em alta, principalmente nos acessórios. As camisetas básicas, claro, também são uma boa pedida!

Camisa masculina
Peças de alfaiataria e camisas que parecem ter saído do guarda-roupa do seu namorado ou marido ainda sobreviverão a algumas estações!

Minissaia, Calças e Jaquetas jeans
São sempre uma boa compra.

Bolsas Pretas
Sempre úteis, as bolsas pretas são o melhor investimento em se tratando de promoção.

Acessórios
Cintos, colares e pulseiras podem ser coordenados em outras estações

FRANCISCO KARAN

PRESTES A COMPLETAR 91 ANOS ELE AINDA ESTÁ NA ATIVA
Pioneiro na medicina do Estado, Karam acompanhou a evolução do setor no município

Silvia Palma
Para Jornal Folha de Videira
Edição: 27/02/2010

O especialista em radiologia Francisco Karam é uma das pessoas que viveu o crescimento de Videira. No próximo dia 5 de março, o médico completa 91 anos, de uma vida inteira dedicada à medicina. Mais de meio século, ou seja, 51, desses anos de trabalho foram realizados em Videira. Neste tempo, ele pôde acompanhar os primórdios, a descoberta das vacinas e das novas tecnologias, que hoje permitem um diagnóstico quase perfeito dos pacientes. Reconhecido como uma das mais importantes autoridades médicas do Estado, ele continua trabalhando em seu consultório em Videira, atendendo seus pacientes, que o próprio diz ser sua maior razão de vida. 
O espírito aventureiro foi o principal responsável pela vinda do médico Francisco Karam para as regiões interioranas, num tempo em que não haviam equipamentos de diagnóstico e a vida das pessoas eram colocadas nas mãos do profissional. No ano de 1943 depois de ter concluído a faculdade de Medicina na atual Universidade Federal do Rio Grande do Sul(UFRGS), o quarto filho de um casal de libaneses, com 24 anos de idade, se aventurava por regiões insólitas e desprovidas de qualquer ornamento médico, com o objetivo de clinicar para as comunidades que ficavam longe de tudo e a mercê das doenças. 
        
Depois de formado, Karam trabalhou por dois anos na cidade de Tupandi(RS), até que resolveu conhecer esta região catarinense. Originalmente, seu destino era a cidade de Caçador, mas ele acabou optando por ir trabalhar em Arroio Trinta. Na cidade vizinha permaneceu por 16 anos, até que em 1959, decidiu mudar-se para Videira, cidade que ainda vive. Aos 90 anos de idade o médico ainda hoje se dedica à profissão que escolheu. “Eu só sei fazer isso e não vou parar. Estou sem fortuna, mas realizado. Diminui o ritmo, mas não viveria sem atender meus pacientes”, diz. 


O espírito pioneiro do médico teve seu preço. Depois de estudar e fazer exercícios práticos na faculdade, Karam se viu disposto no interior, onde a aparelhagem médica era escassa e as dificuldades tão grandes quanto as distâncias que ele às vezes precisava percorrer para atender os pacientes. “Era um tempo difícil. Não tinha hospitais, luz elétrica, condução ou estradas. Tinha que ter muita vontade para ser médico no interior”.


Karam atendia os chamados dos pacientes a  cavalo, muitas vezes na chuva e a noite. "Logo depois que cheguei em Arroio Trinta, que era um distrito de Videira, comprei um cavalo que foi meu companheiro por longos anos. Naquele tempo não se tinha alternativa. Ou era a cavalo, pelas picadas abertas no mato, ou a pé. Anos mais tarde, quando começaram a ser abertas estradas, passei a atender de jipe. Mas já fui para as casas dos pacientes de carona em caminhões de comerciantes, de barco, atravessando o rio XV de Novembro. Nunca me neguei a atender ninguém, porque sabia que precisavam de um médico”, recorda.


VIDEIRA SÓ TINHA DOIS MÉDICOS


A vinda do médico Francisco Karam  para Videira se deu em 1959, a convite do amigo, Valdemar Mozzaquatro. Aqui Karam atuava na área de medicina geral. "Naquele tempo os médicos eram poucos e tinham que atuar em praticamente todas as áreas".
         
Ele diz que só existia mais um médico no Hospital Divino Salvador, Pelágio Parigot de Souza, que foi prefeito do município. "Era muito trabalhoso. Por ser conhecido por praticamente toda a população, tinha que clinicar dia e noite", diz.
        
No início dos anos 60, não existia o INPS (hoje INSS), e sim Institutos para classes trabalhistas, que foram englobados posteriormente pela instituição governamental. O médico explica que com o advento do INPS, foram convidados mais médicos para vir a Videira. Com isso, a quantidade de médicos no município foi aumentando, fazendo que o município tenha profissionais de quase todas as especialidadese hospitais cada vez mais aparelhados.
  
MEMÓRIAS REGISTRADAS

Peculiaridades desta vida ele conta no seu segundo livro: “Memórias de um médico do Interior”, lançado em 1999 e que traz experiências vividas por ele e seus pacientes, nas décadas de 40 e 50. Karan é membro titular do Colégio Brasileiro de Radiologia. Também escreveu artigos médicos publicados nas décadas de 40 e 50 nas revistas "O Hospital" e “Revista Brasileira de Medicina”, ambas editadas no Rio de Janeiro. Ainda na década de 50, escreveu o livro "Pedra Branca", publicado em 1993, com o pseudônimo de Yussef Almanara. Tem produzido inúmeros artigos sobre vida e medicina, publicados em diversos jornais.


O médico recebeu várias homenagens em sua carreira como uma do consulado da Áustria, pelos 50 anos de atuação na medicina e o Jubilado de Ouro do Conselho Regional de Medicina. Ele também é Cidadão Emérito de Videira, desde 1989.